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Projeto Ayllu

Projeto Solidário Missionário - Promoção e Desenvolvimento Social

Projeto Ayllu

Projeto Solidário Missionário - Promoção e Desenvolvimento Social

Com Maria e José a caminho do Natal

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 A verdadeira alegria nasce do amor. Só quando nos atrevemos a viver por amor permitimos que Deus nasça em nós fazendo do nosso coração o seu presépio. Só quando acreditamos no mistério de Jesus somos verdadeiramente felizes. A alegria brota de um coração que, pouco a pouco, se foi e se vá enamorando por Deus. Reconhecer que Deus existe é ter a certeza que jamais caminhamos sós e a alegria de saber que Ele caminha connosco e transforma diariamente as nossas vidas. O caminho não é tão simples como as palavras que dizemos; é exigente. Exige esforço da nossa parte, exige que nos coloquemos a caminho, exige que saiamos de nós e, como Maria e José, caminhemos até à Galileia dos nossos corações em busca do melhor lugar para renascer junto com Jesus. Pois Jesus está vivo e vem até nós.

Tal como Maria temos muitos medos, inquietudes e receios. Mas, inspirando-nos no seu exemplo, dizemos o nosso sim em cada dia. Maria, ao aceitar ser mãe, renunciou a tudo o que tinha planeado para cumprir a vontade de Deus para si. Apesar de não estar nos planos de Maria ser a escolhida de Deus para ser mãe de Jesus, ela aceitou. Como Maria entregamos a nossa vida nas mãos de Deus.

São José inspira-nos a acolher o projeto que Deus tem para nós apesar das dificuldades e desafios. Para São José não foi fácil compreender que Maria estava grávida do filho de Deus. Até pensou em deixá-la secretamente mas quando o anjo lhe falou ele entregou-se completamente.

A família de Nazaré ensina-nos a viver em comunidade. Maria e José, como comunidade, souberam viver a encarnação de Deus nas suas vidas. Não é fácil seguir a vontade de Deus em comunidade mas Eles compreenderam que, quando Deus nos chama tocando o nosso coração, a nossa vida nunca mais vai ser a mesma. O nosso sim abre portas a muitas outras maravilhas, não só nas nossas vidas, mas também nas vidas das outras pessoas. Eles encontravam na oração a coragem que necessitavam para levar a missão de forma alegre e confiante. Nos momentos de oração abrimos as portas do nosso coração e de nossa casa para que Deus venha e diariamente nos diga qual é o caminho a seguir. A oração é a base da comunidade é através dela que consagramos todas as nossas vidas ao Senhor.

 

Vivamos este natal, lembremo-nos que, tal como diz José Tolentino Mendonça, “o presépio somos nós, é dentro de nós que Jesus nasce”. Preparemos o nosso coração e as nossas vidas para ser a casa onde Jesus se prepara para renascer.

 

LMC's Neuza e Paula

Estar aqui. Com eles e entre eles!

22790782_10215031450241977_2067650889_o.jpgEstamos num dos lugares mais bonitos do mundo. Apenas deveremos acrescentar que neste lugar, algures, perdido entre os vulcões Chachani e Misti, vive um povo, um povo humilde no qual fazemos morada agora.

Ao longo da nossa ainda precoce caminhada, são já muitos os rostos que ficaram cravados em nós. Talvez porque a desumanidade se faz presente de uma forma tão evidente que em última das hipóteses leva à morte. São já muitas as histórias de violência que nos foram contadas não apenas através de palavras, mas através do testemunho vivo de quem diariamente luta pela esperança da mudança. Ou não seja este país, Peru, o país onde os níveis de machismo são dos mais elevados de mundo. Neste testemunho de Manu Tessinari, podemos conhecer de uma forma mais profunda esta realidade:

 

“Peru é um país machista. Muito machista.

No Peru, uma adolescente pode ser espancada pelo pai se flagrada tendo sexo com o namorado. Aqui, a mulher que está em cárcere não tem direito a visitas conjugais. No sistema público de saúde, é proibido a entrega gratuita da pílula do dia seguinte para pacientes vítimas de estupro.

22641683_1205471326251727_267057887_o.jpgAlgo mais absurdo? No Peru, se a mulher é largada pelo marido e não se divorciam, o homem pode refazer a vida e registrar todos os filhos da nova companheira. A mulher não. A lei indica que o filho desta mulher é legalmente do ex-marido (protegido pelo vinculo do matrimonio) e para que o pai biológico consiga registá-lo, é necessário um longo e complexo processo legal.

De 10 mulheres peruanas, 6 são vítimas de violência psicológica e 2 são vítimas de violência física por parte de seu companheiro. 16% das pessoas (homens e mulheres) acham que a culpa é da própria mulher, sendo que 3,7% acham que elas MERECEM ser golpeadas e 3,8% NÃO vêem problemas em o homem forçar relações com suas parceiras.

As peruanas são trabalhadoras. Segundo o INEI (Instituto Nacional de Estatísticas e Informação), 95,4% das peruanas trabalham, a maioria em serviços. Em média, uma peruana ganha UM TERÇO A MENOS do que um peruano ganho, fazendo o mesmo serviço. Infelizmente, somente 36% das mulheres conseguem terminar a escola e pouco mais de 16% conseguem concluir uma faculdade. Isto num país onde as mulheres são 15.800.000, ou seja, 49,9% da população”.

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As vidas de quem nos passa pela porta, não nos ficam indiferentes, e ainda que a realidade seja esta, levamos-lhe a alegria de um Evangelho que não é apenas nosso, um Evangelho que necessita ardentemente de ser levado ao mundo, levado aos confins da periferia.

 

Não tenhais medo de sair e ir ao encontro destas pessoas, de tais situações. Não vos deixeis bloquear por preconceitos, por hábitos, por inflexibilidades mentais ou pastorais, pelo famoso «sempre fizemos assim!». Mas só podemos ir às periferias, se tivermos a Palavra de Deus no nosso coração e se caminharmos com a Igreja, como fez são Francisco. Caso contrário, estamos a anunciar a nós mesmos, e não a Palavra de Deus, e isto não é bom, não beneficia ninguém! Não somos nós que salvamos o mundo: é precisamente o Senhor que o salva!

- Papa Francisco -

 

É aqui que nos sentimos chamadas a habitar entre eles e com eles. É aqui que deixamos de ser nós para ser, instrumentos vivos ao serviço de Jesus Cristo no Peru.

 

 

Comunidade Ayllu,

Neuza y Paula

A nossa casa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegar à missão é chegar a casa. Não a que nos viu crescer, outra que agora nos acolhe, onde agora dormimos, crescemos e amamos. Chegar à missão é chegar ao povo. Não o que nos viu nascer, outro que nos recebe de braços abertos como se fossemos filhas que tornaram a casa. Chegar à missão é abraçar outro povo. Não aquele que nos viu nascer mas aquele que de braços abertos se predispõe a crescer connosco. Cada pessoa é mundo e tem mundo para nos contar. Em cada pessoa encontramos Deus e é esse Deus e esse mundo que hoje pretendemos mostrar-vos. É nesta paisagem que todos os dias acordamos na confiança e adormecemos no agradecimento. Nesta missão que não é só nossa mas de todos, queremos que percorram cada dia e cada história connosco.

 

LMC's Paula e Neuza

Um projeto solidário Missionário - o projeto Ayllu.

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O Projeto Ayllu é um projeto solidário em decurso na cidade de Arequipa, no Perú, em desenvolvimento pelos Missionários Combonianos. Porquê AylluAyllu, significa Comunidade e Família em língua quechu (quíchua, também conhecido como quechua ou quéchua, é uma língua indígena falada por alguns povos da América do Sul). Este é, então, um projeto voltado para o amadurecimento comunitário, incluindo as comunidades recém formadas nos setores locais mais remotos, e para as famílias, não só no sentido de diminuir a sua probreza material e espiritual, mas também no sentido de formarem comunidades entre si, propondo a existência de uma família fraterna em vez de famílias isoladas. Por isso, é um projeto de desenvolvimento e promoção social e paroquial.

Mas porquê um projeto em Arequipa? Que necessidades existem localmente? Como atuam os Missionários Combonianos? 

 

A realidade do Perú e de Arequipa.

O Peru, apesar dos índices macroeconómicos positivos que tem vindo a apresentar, mantém uma taxa de pobreza de cerca de 30% da população. Como em toda a América Latina, a desigualdade é enorme. Junto das zonas selvagens e das montanhas, as periferias urbanas são o culminar desta desigualdade. O Peru também se destaca pelos seus conflitos socio-políticos. Os anos de terrorismo e paramilitares deixaram 70 000 mortos, na sua maioria civis. O que originou um país com défice de líderes e sem qualquer tipo de associações. Atualmente ainda se desconfia do ativismo social, por tanto os protestos das populações podem terminar em conflitos com a polícia. A vulnerabilidade relativamente a terramotos e inundações acaba por completar este panorama do país.

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A cidade de Arequipa está localizada na região sul peruana, numa zona de serra, a uma altitude de 2300 metros. Atualmente tem mais de um milhão de habitantes. Na sua parte norte encontra-se o distrito de Alto Selva Alegre e, num dos seus extremos, nas encostas do vulcão Misti e a mais de 2500 metros de altitude encontra-se o bairro de Villa Ecológica. Tem cerca de 2.5 km2 de extensão e a sua população atual supera os 6 000 habitantes. Trata-se de uma zona recentemente habitada, que teve início no ano 2000. Atualmente, o bairro está a crescer em extensão e população.

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O terreno é muito acidentado, com presença de barrancos e ravinas. As rochas vulcânicas são predominantes que, em muitas ocasiões transformam-se em areia e poeiras devido à exposição aos ventos, à escassa vegetação e à grande diferença térmica entre o dia e a noite.

O clima é temperado todo o ano e existem fortes ventos nos meses de Maio a Setembro. A maior precipitação ocorre nos meses de Janeiro e Fevereiro podendo ser abundante. Isto favorece ainda mais a erosão devido às correntes de água que se formam. A radiação solar é muito forte, o que provoca muitas doenças oculares e de pele.

No aspeto demográfico, a população é composta por famílias, 80% com escassos recursos e 20% em situação de extrema pobreza. O crescimento populacional é de cerca de 2.7% anual e o número médio de filhos por família são de 4,3. Existe um alto índice de fecundidade, especialmente de mulheres jovens, que acostumam formar famílias monoparentais. A população infantil apresenta um elevado índice de desnutrição. O bairro recebeu um importante fluxo migratório especialmente das províncias altas de Arequipa e dos departamentos (estrutura administrativa local) vizinhos de Puno e Cuzco, que conta com um importante componente indígena de língua quéchua.

O Bairro Villa Ecológica, pela sua localização, é o destino final de muitas pessoas pobres, que formam famílias reconstruídas, jovens casais que fugiram de suas casas, ou que por gravidez precoce se vêm obrigados a constituir uma nova família. Também se instalam aqui pessoas dos Andes com muitos problemas económicos e sociais. E por vezes pessoas que têm problemas com a lei.

Não existem alternativas de diversão ou educação promovidas pelo estado, não há controlo sobre os meios de comunicação, não existe proibição de bebidas alcoólicas a menores, e não existem agentes da polícia para controlarem os pequenos traficantes de droga locais, apesar de serem bem conhecidos e identificados pela maioria da comunidade.

 

 A chegada dos Missionários Combonianos a Arequipa

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Os Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ) trabalham há mais de 30 anos em Arequipa, sempre no distrito de Alto Selva Alegre. A presença Alemã foi e continua a ser importante. Na sua chegada, o bairro tinha carência de todos os serviços básicos (água, luz, saúde, educação) pois era uma zona recentemente habitada. Os MCCJ colaboraram na gestão administrativa para conseguir o acesso à água potável e apoiaram economicamente a criação de uma escola primária, um centro de saúde e um curso de capacitação para jovens. Quando o bem-estar desta zona se foi consolidando, assumiram a paróquia do Bom pastor, num povoado jovem e periférico de Independência, e cederam as anteriores estruturas a associações locais.

Atualmente a paróquia tem dois infantários que apoiam mais de duzentas crianças, dos 1 aos 5 anos, de famílias mais humildes, cinco refeitórios populares que servem mais de quatrocentos menores e idosos e um centro de saúde de consultas gerais, pediatria e consultório com psicólogo. Outro posto médico abriu recentemente no próprio bairro de Villa Ecológica, no entanto o seu funcionamento ainda não é regular.

 

O Projeto Ayllu como caminho de desenvolvimento promoção social

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Muito trabalho já se realizou até agora!! Contando já com 17 anos de presença na paróquia do Bom Pastor e criação do infantário São Daniel Comboni, os Missionários Combonianos têm apostado muito na infância para, acompanhar o povo no seu crescimento com vista no futuro. A paróquia tem estado presente na vida concreta de muitas famílias, apoiando espiritualmente e materialmente. Tem-se vindo a criar povo onde haviam famílias isoladas. Existe um novo posto médico paroquial na Villa Ecológica, que queremos que seja missionária: aberta especialmente aos mais necessitados. Esta identidade missionária foi reforçada no infantário São Daniel Comboni quando a população do bairro cresceu e ao ir de casa em casa, comprovou-se que era desconhecido para a população mais afastada. No primeiro ano de funcionamento deste posto as pessoas não acediam aos seus serviços por desconhecimento da sua existência ou por dificuldades económicas. 

Nesta nova etapa de amadurecimento comunitário, marcado também pelo aparecimento de novas comunidades nos setores mais remotos, a paróquia precisa fortalecer líderes que garantam a continuidade dos trabalhos e aprofundem a presença fraterna.

Deus tem suscitado líderes naturais na comunidade. Na sua maioria, mulheres com capacidades de liderança. A paróquia é chamada a detetá-las, potenciá-las e fortalecê-las para que reconheçam a sua vocação como enviadas pelo Pai para a comunidade.

Este trabalho requer paciência, tempo, desgaste subindo e descendo colinas e, na medida do possível, não devemos confiá-lo à boa vontade das pessoas, mas sim incumbi-o a pessoas capacitadas e que sejam reconhecidas como um pilar que oferece a base para um futuro mais fecundo da comunidade. A partir deste ano, enriquece-se com a presença de 2 leigas missionárias combonianas (LMC) portuguesas: a Paula e a Neuza.

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Que objetivos? Que atividades propomos para Arequipa?

O projeto têm como objetivo geral fortalecer a pastoral social em Villa EcológicaAmpliación e Canteras articulada com a pastoral paroquial do Bom Pastor.

 

Objetivos específicos

  • Promover a aproximação da população ao novo centro de saúde
  • Prevenir e acompanhar situações de violência familiar
  • Criar equipas de líderes na pastoral social, aproveitando as competências das líderes que já trabalham na paróquia.

Para cumprir estes objetivos, propomos o desenvolvimento das seguintes atividades:

 

1. Promover a aproximação da população ao novo centro de saúde:

  • Realizar uma campanha de divulgação do centro de saúde de Villa Ecológica junto dos lugares mais afastados de Villa EcológicaAmpliación e Canteras.
  • Criar uma equipa de promotoras de saúde para alargar a informação a todas as pessoas.
  • Coordenar com os responsáveis do centro de saúde, com a equipa de promotoras e com a assistente social todas as campanhas de saúde que realizarmos.

2. Prevenir e acompanhar situações de violência familiar:

  • Coordenar com o Centro de Emergência da Mulher e a Policia de Independência todas as atividades que realizarmos;
  • Criar uma equipa de facilitadoras contra a violência familiar;
  • Sensibilizar sobre a problemática da violência familiar;
  • Realizar o acompanhamento dos casos denunciados à Policia.

3. Criar equipas de líderes na pastoral social:

  • Curso de formação de líderes (saúde e prevenção da violência) coordenadas com as outras pastorais presentes na comunidade.

 

valor do projeto para dois anos é de 7000 € (sete mil euros) que corresponde a 26 530 PEN – Sol peruano (moeda do Peru).

Sabia que pode colaborar connosco? Saiba como aqui

Oferta de Donativos para o Projeto Ayllu

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"A missão faz-se:

com os joelhos dos que rezam,

com as mãos dos que partilham

e com os pés dos que partem."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem recursos financeiros, os LMC vêem as suas ações dificultadas. Por isso é fundamental o apoio de todos. Pode contribuir de diferentes formas:

  • Donativo pontual

Para contribuir, pode fazê-lo pessoalmente junto da Comunidade de LMC's de Portugal ou para o IBAN: PT50 0036 0131 9910 0030 1166 0.

Contactos para todas as informações:

Leigos Missionários Combonianos

Sandra Fagundes

Telemóvel: 966592658

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